A lua estava alta sob a janela do quarto, o jovem inquieto fazia uma pequena pausa na leitura para observá-la através da fresta. Brilhava intensamente, estava cheia ou quase, ainda crescente, mas a luz espelhada era tão clara e pura que poucas estrelas podiam ser vistas. Ficou a observar o céu sem se mexer, apenas olhando, admirando belo quadro. Perdia-se em pensamentos desconexos, em meditações despropositadas, lembrou da história que ouvira de sua avó alguns anos antes numa noite estrelada de inverno, contava que os mortos viravam estrelas, que cada estrela era um homem ou uma mulher que já havia se despedido deste mundo, foi a melhor forma de lembrar de seu avô nos anos que se seguiram. Lembrava com uma certa doçura e saudosismo a inocência deixada para trás, não sabia onde, nem quando. Escolheu duas estrelas para chamá-las avós, esboçou um sorriso carregado de tristeza.
Pensava em todos que já partiram, que habitavam agora os céus, que lá de cima guiavam os passos dos seus aqui em baixo, às vezes ele mesmo queria estar lá em cima, protegendo os que amava e guiando quem precisasse. Do seu quarto iluminado pela lua e uma luminária fraca,sentia que não era capaz de fazer muito por eles. Pediu às estrelas que lhe protegessem, e protegessem também a mulher de coração puro que conhecera há algum tempo, que não via há muito, cuja os dois olhos negros não esquecia, e a voz suave ecoava em seu peito todas as noites.
Quis ir para onde pudesse cuidar dela, a protegendo de si mesma e mostrando-a como era doce.
Ficou horas olhando o céu, e por fim nem sabia onde estava o livro. Se esqueceu da dor, estava pronto para dormir um sono de chumbo, entregou o corpo lasso à fria cama. Adormeceu, sob a luz do luar, sob a luz daqueles dois olhos negros.
sábado, 16 de agosto de 2008
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